Por Francisco Galiza*

No mês de julho, o SINCOR-SP divulgou o estudo AVATEC 2020 (“Autoavaliação das corretoras de seguros em Tecnologia”). Tal texto teve três objetivos principais. Primeiro, entender como estão as corretoras de seguros do Estado de SP em termos de TI. Segundo, criar uma metodologia transparente e objetiva para que as próprias corretoras se autoavaliem, com relação a tal aspecto. Daí o nome do estudo. Terceiro, o próprio caráter educacional para o mercado, dos recursos existentes nessa área.

O texto chegou a cinco grandes conclusões tecnológicas:

1) Os valores do indicador AVATEC podem variar 10 a 50 pontos. A mediana dos valores é de 32 pontos no Estado de São Paulo. Em outros Estados, o valor foi levemente maior, 34 pontos. Tal valor levemente maior pode ser explicado do fato de corretoras de outros Estados que se interessaram mais pelo estudo é que têm um perfil mais tecnológico mesmo. Nessa faixa de pontos (30 a 35 pontos), consideramos uma avaliação boa.

2) Na amostra, tivemos 25% das corretoras em um padrão abaixo da média, 50% no padrão médio e 25% acima da média.

3) Esse é um valor médio e o número exato depende do critério utilizado. Por exemplo, 20% das corretoras não têm software de gestão, 25% das corretoras paulistas não têm site próprio ou 25% não usam sistema de multicálculo. Outro aspecto importante é a utilização de leads, com a diferença maior de todas. Nesse momento, 45% das corretoras só recebem indicações de clientes.

4) O tamanho faz muita diferença no resultado final do indicador AVATEC. Se a corretora tem apenas um funcionário, o seu AVATEC médio é de 28 pontos. Se ela tem mais de 10 funcionários, o valor passa para 38 pontos. Ganha um ponto no AVATEC para cada novo funcionário. Dois comentários. Primeiro, nem todos os fatores dependem de dinheiro, mas alguns deles, sim. Segundo, o que se deve questionar é o dilema do biscoito. “Vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais”. “A corretora é maior porque usa mais tecnologia ou usa mais tecnologia porque é maior. ”

5) Outra abordagem possível é agrupar a análise pelas características: interesse, hardware e software. Em interesse, 20% das empresas estão em nível abaixo. Em hardware (internet e computadores), apenas 5% das empresas estão em situação pior. Já em software, o nível de deficiência passa para 30 a 40%.

Esse estudo permite ainda três observações, em termos de expansão e continuidade do projeto.

1) Todo indicador tem que ter tal acompanhamento constante. Certamente depois da pandemia, os indicadores vão crescer.

2) Ao longo do tempo, o próprio conteúdo do indicador precisa ser atualizado. Ou seja, os critérios internos. Uma corretora que tem 30 pontos se permanecer no mesmo padrão, daqui a cinco anos, pode passar, por exemplo, para 28 pontos.

3) O objetivo é que seja um instrumento importante para o mercado, como referência de avaliação tecnológica, por vários agentes (seguradoras, prestadores de serviços, próprias corretoras, etc). Em uma corretora, um perfil pode ser caracterizado pelo faturamento, perfil da carteira, quantos funcionários, qual região, etc. Agora, vai se perguntar também: “Qual é a sua AVATEC? ”. Um “exame de sangue tecnológico” das corretoras de seguros. Entrar na rotina do setor!!

Não deixem de ler o texto, disponível no “site” do SINCOR-SP.

*Francisco Galiza é sócio da empresa Rating de Seguros Consultoria (www.ratingdeseguros.com.br), mestre em Economia (FGV), membro da ANSP (Academia Nacional de Seguros e Previdência) e professor do MBA-Seguro e Resseguro (Funenseg).

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