Por Francisco Galiza*

Nesse momento, já existe vasta bibliografia sobre o que pode acontecer na economia e na sociedade em um cenário pós pandemia, em termos gerais ou especificamente no mercado de seguros.

A seguir, inicialmente, algumas considerações fatos de caráter geral:

  • A distância está de volta. Com as restrições à locomoção entre países, tal evento pode ser considerado com um revés à globalização.
  • O crescimento da economia sem contato. Setores econômicos em que não haja contato sairão fortalecidos, como comércio eletrônico, telemedicina e automação.
  • Fortalecimento do Governo nas economias, com, por exemplo, o crescimento dos sistemas públicos de saúde.
  • O lucro pode não ser mais o único valor corporativo nas empresas. Outros aspectos devem ser também considerados, como investir em funcionários, apoiar comunidades e o desenvolvimento de ética.
  • Crescimento dos problemas de saúde mental. No momento, pesquisas mostram que 25% das pessoas estão com ansiedade ou estresse. Isso pode ser diluído ao longo do tempo, claro.
  • A sociedade aprendeu muito rapidamente novos modelos de comunicação à distância. Isso terá consequências, por exemplo, no mercado de trabalho, trazendo ganhos de eficiência, além de uma maior flexibilidade para os funcionários.

Na área de seguros, há também consequências específicas.

  • A ideia é que haverá maior propensão pela compra dos produtos de seguros e previdência, em um efeito substituição a outros ativos. O seguro passou a ser considerado um bem mais importante, com o aumento de interesse do consumidor por tal produto.
  • O seguro, ao ganhar importância, devem ser vistos mais do que simplesmente o pagamento de sinistros. Outros pontos devem ser também agregados, como serviços médicos, além de excelência no atendimento on-line.
  • Com o “home office”, as pessoas passarão mais tempo em casa e, assim, elas irão querer ter mais conforto. Assim, haverá mais infraestrutura, um maior risco de desgaste dos bens, o que fará com que o seguro residencial tenha um incremento. Por outro lado, haverá diminuição na taxa de crescimento dos seguros empresariais, pois os escritórios serão menores, com menos pessoas. Tudo em termos comparativos, claro.
  • Outra consequência é o aumento dos riscos cibernéticos. Temos uma variável a mais a ser considerada na equação, com as seguradoras tendo que avaliar essa nova configuração. Assim, haverá não apenas crescimento de demanda por tal produto, como possivelmente aumento nas taxas também. Ou seja, ao final, a receita de prêmios irá aumentar.

Enfim, muita coisa ainda será analisada. Nesse momento, o mais importante é boa saúde para todos!

*Francisco Galiza é sócio da empresa Rating de Seguros Consultoria (www.ratingdeseguros.com.br), mestre em Economia (FGV), membro da ANSP (Academia Nacional de Seguros e Previdência) e professor do MBA-Seguro e Resseguro (Funenseg).

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