Por Francisco Galiza*

Em um mundo globalizado, é importante avaliar o comportamento dos outros países, além das tendências internacionais de negócio. Mais do que nunca, nenhuma economia é uma ilha e a integração entre as sociedades de diferentes culturas é constante e essencial. Ou seja, podemos esperar que, provavelmente, o que acontece em outros países deve alguma hora acontecer também por aqui, respeitando as particularidades de cada região. Nessa linha, abordaremos agora dois aspectos que discutem esse fenômeno.

O primeiro deles envolve as tendências da indústria automobilística no mundo. Atualmente, quando acompanhamos a literatura internacional sobre o assunto, podemos identificar quatro grandes tendências nesse segmento para os próximos dez anos: veículos sem motoristas (“driverless vehicles”), aumento da mobilidade compartilhada (“uber” ou similares), crescimento dos automóveis elétricos e aumento da conectividade (“internet of things”). Com todas essas mudanças, o setor de seguros deverá sofrer um impacto. Isso valerá para o Brasil e para o mundo. No Brasil, por exemplo, o prêmio de seguros de automóvel varia entre 30% e 35% do faturamento de todas as seguradoras. Já na carteira média dos corretores, este segmento é mais importante, e representa, em média, 60 a 70% do total da receita dessas companhias. Ou seja, não são valores triviais.

Outro fato se refere à participação do mercado segurador brasileiro no mundo. Agora, o país tem, em média, 1,7% do faturamento mundial nesse segmento, estando entre a 12ª e a 14ª posição, dependendo do ramo operado. É uma participação um pouco abaixo da participação no PIB mundial, já que o Brasil fica aqui entre os dez maiores. Ou seja, por essa comparação, haveria um espaço para crescer os seguros no país. Espelhando o próprio comportamento da economia nacional nesse período, de altos e baixos, a evolução do nosso mercado nos últimos anos tem sido irregular. Vale lembrar também que a receita de seguros de todos os países é transformada para dólares pelo câmbio médio do ano.

Em termos didáticos, podemos separar tal evolução em quatro fases. De 2007 a 2011, tivemos uma forte taxa positiva de crescimento. Nesse período, a participação passou de um patamar de 1,2% a 1,8% do faturamento mundial de seguros. Um período muito bom para o setor. De 2011 a 2014, podemos dizer que houve uma estabilidade na participação, com os números se situando entre 1,8% a 1,9%. De 2014 a 2016, queda, pelos efeitos de crise econômica, caímos para patamar de 1,5% a 1,6%. De 2016 a 2017, já temos uma recuperação, embora ainda um pouco lenta. Em 2018, essa recuperação deve continuar. Agora, o desafio é acelerar essa trajetória e, é sempre bom ressaltar, o papel dos corretores de seguros nesse processo é fundamental!

*Francisco Galiza é sócio da empresa Rating de Seguros Consultoria
(www.ratingdeseguros.com.br), mestre em Economia (FGV), membro da ANSP
(Academia Nacional de Seguros e Previdência) e professor do MBA-Seguro e
Resseguro (Funenseg).

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