Por Francisco Galiza*

Em qualquer movimento extremamente intenso – como o que estamos vivendo agora, com a pandemia – há (e haverá) consequências intensas nos mercados, de como o consumidor poderá se comportar, em prazos distintos de tempo (curto, médio ou longo). No caso do setor de seguros, isso não é diferente. No nosso modo de ver, há dois fenômenos que ocorrem (e ocorrerão) em tal segmento que, até certo ponto, têm direções contrárias. Um leva à queda do consumo, outro ao aumento, pelo menos no médio prazo. Explicaremos a seguir.

O primeiro movimento é o que os economistas chamam de “efeito renda”. Ou seja, o aumento ou a queda da renda, afetando o consumo de um bem ou serviço. No nosso caso agora, de uma forma mais direta, as pessoas estarão mais pobres devido à pandemia. Supondo uma pessoa que ganhe R$ 10 mil por mês e que aloque, usualmente, 5% da sua renda na compra de seguros ou previdência. Ou seja, ela se programa para gastar R$ 500 por mês. Se a sua renda, devido à recessão, passa para R$ 8 mil, e mantidas as mesmas proporções iniciais, o seu gasto com tal produto irá para R$ 400. Essa é uma conta fácil de fazer.

Existe, porém, um outro efeito, que os economistas chamam de “efeito substituição”. Ou seja, a substituição de um produto por outro. Recentemente, um texto da empresa de consultoria McKinsey[1] aborda quais consequências haverá para os mercados, pós pandemia, que setores vão ganhar ou perder, etc. Um dos efeitos é justamente avaliar o que mudará na cabeça do consumidor. Será que tudo irá permanecer igual?

Por exemplo, no texto, há alguns questionamentos: Haverá mais compreensão em relação ao compartilhamento de dados pessoais, se isso ajudar a salvar vidas? Os setores de turismo e viagens voltarão ao mesmo nível anterior, ou haverá uma maior preocupação com a segurança financeira? No caso específico do setor de seguros e previdência, haverá maior propensão pela compra de tais produtos, em um efeito substituição a outros ativos? Voltando à conta acima, será que o consumidor, pós pandemia, não irá dar mais importância ao seguro, em detrimento de outros produtos? Será que aquele consumidor não irá alocar agora 6% da sua renda em tal produto, em vez de 5%? Particularmente, acreditamos que sim. Depois que “a poeira baixar”, essa pode ser uma oportunidade importante para o setor, que deve se preparar para um cenário de maior interesse por parte do consumidor.

Todos esses efeitos deverão vir de forma defasada, uns mais rapidamente que outro. Em economia, muitas isso é comum. No curto prazo, o efeito que deve prevalecer é o “efeito renda” mesmo. As pessoas devem querer pagar menos pelo seguro. Daí, as seguradoras e os corretores devem estar atentos ao que o consumidor demanda, o que ele pode pagar. Mas, sempre ter em mente que isso é um momento temporário. Mais tarde, o segurado poderá demandar produtos mais sofisticados. Enfim, um projeto de parceria segurado, corretor e seguradora.

Tudo de bom para todos nesse momento tão difícil!

*Francisco Galiza é sócio da empresa Rating de Seguros Consultoria (www.ratingdeseguros.com.br), mestre em Economia (FGV), membro da ANSP (Academia Nacional de Seguros e Previdência) e professor do MBA-Seguro e Resseguro (Funenseg).

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