Por Francisco Galiza*

Quando fazemos uma análise econômica do Brasil dos últimos anos, alguns pontos podem ser destacados. Em 2015 e 2016, os números do país foram muito ruins, com a subida, por exemplo, da taxa de desemprego que, nesse período, chegou a quase 14% (dado PNAD). Em 2017, tivemos o início da recuperação de algumas variáveis, mas ainda de forma tímida. Indústria automobilística, por exemplo. Mas, em outras variáveis, o que se observou é que houve de fato uma interrupção da piora (nesse período, temos a estabilidade da taxa de desemprego em torno de 12%). Em 2018, de qualquer maneira, outras variáveis foram melhorando, com previsões de um cenário promissor para 2019, conforme as previsões no início desse ano. Entretanto, a medida que o ano de 2019 foi transcorrendo, infelizmente, parte dessa expectativa favorável desapareceu. Por exemplo, em março de 2018, se esperava uma taxa de crescimento econômico de 3% em 2019. Nesse momento, os valores estão em menos de 1%. Outro ponto negativo foi a interrupção na queda da taxa de desemprego, conforme comentado acima.

Quando fazemos a análise do mercado segurador brasileiro, a avaliação foi um pouco mais positiva. A confiança do setor de seguros caiu nos primeiros meses de 2019. Porém, desde o mês de maio, essa tendência de retração foi interrompida. Em junho, já tivemos uma primeira reação. Em julho, a variação positiva continuou, com a média dos indicadores se situando nesse momento em aproximadamente 115 pontos. Neste nível, com números acima de 100 pontos, as empresas podem ser qualificadas como otimistas, embora, ressalte-se, ainda não no mesmo nível favorável de janeiro ou fevereiro, quando então o indicador médio era de 130 pontos.

Em dados contábeis até junho desse ano, outro ponto positivo foi a evolução do faturamento do segmento de pessoas, com taxas de crescimento de 10% a 15% ao ano. Nos últimos anos, ressalte-se, mesmo no pior econômico do país, o setor de seguro de pessoas conseguiu superar a taxa de inflação.

O desafio agora é analisar se tal evolução favorável em seguros poderá se manter se os números econômicos do país não melhorarem de forma mais substancial no segundo semestre. Mas, estamos otimistas. Tudo leva a crer que os números irão se manter.

*Francisco Galiza é sócio da empresa Rating de Seguros Consultoria (www.ratingdeseguros.com.br), mestre em Economia (FGV), membro da ANSP (Academia Nacional de Seguros e Previdência) e professor do MBA-Seguro e Resseguro (Funenseg).

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