Por Francisco Galiza*

Em 2019, em números bem redondos, o mercado segurador brasileiro cresceu nominalmente em torno de 10%, onde, mais uma vez, o segmento de pessoas se destacou. Nos últimos anos, a área de ramos elementares até tem, de um modo geral, conseguido obter ganho real, apesar da queda no ritmo de vendas de veículos. Mas, indiscutivelmente, os seguros de pessoas foram os que tiveram maior crescimento. Outro segmento importante, também com uma boa atuação, foi o de seguro saúde, mesmo tendo havido, em algum momento no passado, queda na quantidade de beneficiários, pelos efeitos do aumento do desemprego. Nesse caso, a inflação médica, acima das outras taxas de inflação, compensou tal fato. Enfim, ao final, podemos dizer que o saldo é positivo para todo o setor, com mais um ano de ganho real. E todo esse cenário favorável do setor foi conseguido com uma taxa de crescimento econômico relativamente baixa no país, embora positiva. Em torno de 1% ao ano.

Agora, vislumbramos todo o ano de 2020 pela frente. Nesse momento, as principais instituições financeiras projetam uma taxa de crescimento econômico de 2,5% no ano, mais do que o dobro do valor de 2019. É claro que, em anos anteriores, houve muitos erros de previsão, pois novidades podem acontecer (por exemplo, crises internacionais, greves de caminhoneiros, fatos políticos, etc). Os motivos não faltam. De qualquer maneira, nesse momento, as expectativas são positivas. Lembramos que esse otimismo se espelha também no mercado segurador brasileiro, pela evolução do índice de confiança da categoria[1], que avalia as previsões das principais empresas do setor.

Se esse crescimento de fato acontecer, quais são as consequências no mercado de seguros brasileiro? Essa é a pergunta que todos querem fazer. Teoricamente, existe uma correlação clássica entre crescimento econômico e o mercado segurador[2]. Isso seria válido para qualquer país. Assim, diante disso, podemos ser otimistas. Se com o crescimento econômico de 1%, o mercado de seguros conseguiu ter crescimento real, imagina se o crescimento for de 2,5%. Mais motivos teremos ainda para ultrapassar o patamar dos 10% nominais de 2019. Aqui, não estamos nem falando que existem fatos específicos que também influenciarão o setor de seguros, como os efeitos da reforma da previdência no setor privado.

Ou seja, boas expectativas para 2020!

*Francisco Galiza é sócio da empresa Rating de Seguros Consultoria (www.ratingdeseguros.com.br), mestre em Economia (FGV), membro da ANSP (Academia Nacional de Seguros e Previdência) e professor do MBA-Seguro e Resseguro (Funenseg).

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