Por Francisco Galiza

Recentemente, uma publicação especializada em tecnologia aplicada ao setor de seguros divulgou texto comentando as principais tecnologias que o setor de seguros enfrentará nos próximos anos, muitas delas ainda em caráter inicial. A lista é grande, mas entre elas está a Internet das Coisas ou “Internet of Things” (IoT); a utilização de drones em regulação; os já famosos veículos sem motorista, que devem alterar o funcionamento do seguro auto; o pagamento em moedas digitais como bitcoins; e os “wearable devices”, dispositivos tecnológicos que, com sensores como monitor cardíaco, trazem uma forma mais apurada de definir riscos.

Na mesma linha, podemos repensar todos os mecanismos aplicados ao seguro de automóvel. O primeiro deles – talvez nesse momento o mais comum – é algo do tipo “pay as you use”, só paga quando usa. Em uma linguagem simples, aquele cliente que utiliza menos o veículo, naturalmente tem um risco diminuído e, em conseqüência, terá um ajuste nos prêmios.

Outra aplicação se refere ao risco do próprio segurado, já que cada cliente vivencia uma realidade distinta. Por exemplo, usar a telemetria, tecnologia que está sendo usada pela Liberty com o Direção Em Conta. Nesse caso, o motorista, ao final de cada viagem, tem um diagnóstico com a avaliação de diversos aspectos que influenciam o seu risco: a velocidade, o estilo de direção, a distração, o horário da viagem, a fadiga, etc. A partir dessa análise, o usuário terá sua avaliação própria de direção, com diversas informações e dicas úteis, para ter uma experiência mais segura ao volante. Ao final, a seguradora (e o próprio segurado) poderá entender que risco, de fato, está enfrentando, e o preço da apólice varia conforme essa análise.

A aplicação da tecnologia para aprimorar a precificação dos seguros é uma tendência que irá, cada vez mais, crescer no Brasil, seguindo modelos internacionais. Como toda coisa nova, algumas dificuldades tecnológicas e estatísticas ainda existem. Mas elas serão superadas à medida que os processos forem se desenvolvendo. Enfim, essa é a direção que iremos, e você corretor precisa ficar atento a esses próximos passos.

 

*Francisco Galiza é sócio da empresa Rating de Seguros Consultoria, mestre em Economia (FGV), membro da ANSP (Academia Nacional de Seguros e Previdência) e professor do MBA-Seguro e Resseguro (Funenseg).

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